Percival Maricato recebe título de Cidadão Paulistano
Maricato construiu uma trajetória marcada pela defesa da democracia, da justiça social e dos direitos individuais e coletivos, além de atuar em defesa da gastronomia, do turismo e do setor de bares e restaurantes na cidade de São Paulo.
O advogado, escritor, palestrante, articulista, professor e ativista político Percival Menon Maricato, 82 anos, receberá, no dia 1º de setembro, terça-feira, na sede do Maricato Associados, o título de Cidadão Paulistano. Nascido em Santa Ernestina, no interior de São Paulo, mudou-se para a capital paulista, aos dez anos de idade, em 1954. Na nova cidade, Maricato estudou e construiu sua trajetória profissional e sua vida pública, com atuação nas áreas jurídica, empresarial, política, social e cultural. É reconhecido por seu trabalho e liderança no setor de serviços e de bares e restaurantes, por sua luta por políticas públicas para o setor que sofre com pressões constantes da administração pública.

A homenagem foi proposta pelo vereador Nabil Bonduki (PT), que fará a entrega do título, seguindo o protocolo e o regimento da Câmara. A concessão foi votada no dia 18 de junho deste ano por 46 vereadores, com 39 votos favoráveis, cinco abstenções e dois votos contrários.
A trajetória de Maricato reúne a defesa da democracia e dos direitos humanos, a atuação jurídica em diferentes causas sociais, a produção intelectual e uma longa participação na representação dos setores de bares, restaurantes, gastronomia e serviços.
Na área empresarial, teve papel fundador e de liderança em entidades representativas do setor de bares e restaurantes, entre elas a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de São Paulo (Abrasel-SP), atuando no fortalecimento do comércio local, na geração de empregos e na consolidação de São Paulo como a capital gastronômica do país. É diretor da Abrasel Nacional, presidente de honra da Abrasel-SP e assumiu em agosto de 2026 a Presidência do Conselho Consultivo da Abrasel-SP.
É também membro da coordenação nacional do Pensamento Empresarial das Bases Empresariais (PNBE), presidente da Comissão Especial do Setor de Serviços da OAB/SP, vice-presidente do Conselho Curador do Visite São Paulo Convention Bureau e vice-presidente Jurídico da Central Brasileira do Setor de Serviços (Cebrasse). Na OAB atuou também em diversas outras áreas e funções, como Comissão de Ética, Liberdade de Imprensa e Direitos Humanos. Foi um dos fundadores da Revista da OAB e membro do Conselho Editorial.
Já ocupou cargos como membro do Conselho de Pequenas Empresas na Fiesp e na Fecomércio. Foi fundador e coordenador da ANJUT – Associação Nacional pela Justiça Tributária; presidente do Conselho Deliberativo do Vitae Civilis – Instituto para o Desenvolvimento, Meio Ambiente e Paz; e membro do Conselho da Fundação Padre Anchieta (TV Cultura). Em 2015, na gestão do prefeito Haddad, se tornou membro do Conselho da Cidade de São Paulo. Foi presidente e ocupou diversos outros cargos na Abredi – Associação Brasileira de Bares e Restaurantes Diferenciados, entidade que ele e outros fundadores optaram por extinguir em prol do fortalecimento e unificação do setor em torno do sistema nacional da Abrasel. Foi um dos fundadores da Abaga – Associação Brasileira da Alta Gastronomia e fundador e editor da revista Bares e Restaurantes por quinze anos. Em 2024 foi eleito Personalidade da Gastronomia do Ano pela revista Prazeres da Mesa.
A produção intelectual também faz parte dessa trajetória. Maricato é autor de obras jurídicas e de obras relativas ao setor de Bares e Restaurantes, crônicas e ensaios sobre a vida urbana, a economia da noite e a sociologia da cidade de São Paulo. Lançou quatro livros pelo Senac: Como Montar e Administrar Bares e Restaurantes; Marketing para Bares e Restaurantes; Franquias – Bares, Restaurantes, Lanchonetes, Fast-foods e Similares; e Promoções para Bares e Restaurantes. Pela editora CLA, lançou Como Evitar Reclamações Trabalhistas. É coautor de Nos tempos da ditadura, livro coletivo da Escola de Justiça Arcadas. Publicou artigos em diversos veículos de comunicação, como a revista Veja e os jornais Valor Econômico, Folha de S. Paulo, Estado de São Paulo, Estado de Minas e Gazeta do Povo. Como professor, deu aula em cursos de pós-graduação da Faculdade Anhembi Morumbi.
Sua atuação na capital também inclui a defesa do desenvolvimento urbano sustentável. Tem forte ligação afetiva e comunitária com São Paulo. Entre suas atividades, destaca-se a fundação da Escola de Samba Colorado do Brás, da qual foi o primeiro presidente. Reeleito por três mandatos, liderou a agremiação em uma trajetória de destaque, conduzindo-a do 4º Grupo ao Grupo Especial do carnaval paulistano.
Maricato é sócio-fundador do Maricato Advogados Associados, escritório que completou 50 anos de existência em agosto deste ano. Neste mês, ele também comemora meio século desde que recebeu a carteira da OAB, que considera importantíssima para sua realização profissional e pessoal e para contribuir na busca de Justiça para milhares de pessoas do país. “A meu ver, a vida tem que ter ideais que a justifiquem, lhe deem sentido”, afirma.
Trajetória
A relação de Percival Maricato com a defesa da democracia começou ainda na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, onde ingressou em 1967 e concluiu o curso só em 1975, em decorrência de sua participação nas lutas dos estudantes pela democracia, justiça social, soberania nacional e contra a ditadura militar. “Ora, onde já se viu aprender direito e não lutar contra uma ditadura? Ora, como ser proibido de expressar o pensamento? Como admitir que fechassem nosso Centro Acadêmico XI de Agosto?”, recorda.
Perseguido pela ditadura militar, Maricato viveu dois anos clandestinamente, época em que foi eleito e reeleito pelos estudantes do estado presidente da UEE (União Estadual dos Estudantes), cargo que exerceu de 1969 a 1971, quando foi preso. Após as torturas “de praxe”, passou três meses entre DOI-CODI e DOPS e dois anos no Presídio Tiradentes. Antes de ir para o presídio, recebeu do diretor do DOI-CODI, Brilhante Ustra, oportunidade de assinar uma carta de arrependimento, para ser dirigida aos estudantes e ser solto, Recusou-se. Foram quatro anos afastado do curso de Direito, da sua Arcadas. Não foi sua primeira vez que foi detido. Já havia sido preso, por dois meses, na Casa de Detenção, por ter participado do Congresso da UNE, em Ibiúna, após ter sido eleito pelos alunos da São Francisco
Nesse período, respondeu a quatro processos por infração à “Lei de Segurança Nacional”, que Percival define como segurança dos assaltantes do poder. “Aprendi que há justiça que de Justiça não tem nada”, diz.
Após sair da prisão, Percival Maricato enfrentou outra luta, agora para voltar a cursar a Faculdade de Direito. Sua ficha de matrícula havia desaparecido! Aliás, também tentou voltar à Faculdade de Jornalismo, na USP, onde sua ficha também desaparecera. Depois de obter a rematrícula em Direito, graças à pressão dos colegas, foi à OAB pedir sua carteira de estagiário. Ela só foi lhe entregue após obter a autorização do DOPS e da auditoria militar.
Com a carteira de estagiário, foi trabalhar no “Jurídico do XI”, na Praça João Mendes, destinado a atender apenas à população de baixa renda. No final do ano, os colegas o elegeram diretor do órgão, função que exerceu por dois anos, liderando 90 estagiários e 12 advogados.
Foi nesse período que Percival Maricato aprendeu a arte da advocacia e percebeu onde deveria atuar no Direito: “A Advocacia é uma profissão que considero relevante para melhorar a sociedade, por ajudar na luta pela justiça social”, afirma.
Mais tarde, prestou o exame da OAB, fez o juramento e recebeu a carteira. Ao longo da carreira, atuou em diferentes causas sociais. Entre elas, defendeu moradores de loteamentos clandestinos, artistas perseguidos pela censura, o direito de meação da mulher companheira, a evolução do desquite ao divórcio, indenizações a favelados removidos de seus locais de moradia.
Ao lado dessas batalhas sociais, Maricato atuou junto a clientes individuais e empresariais, cujos direitos, segundo ele, merecem igual atenção. “O advogado lida com alguns dos patrimônios mais expressivos do ser humano: a liberdade, a honra, a família, a segurança jurídica, o local necessário para se viver, a justiça enfim”, diz. E acrescenta: “Nesse meio século, combati em milhares de processos, para milhares de clientes; e continuarei a fazê-lo enquanto tiver forças”.
Ao recordar a honraria que receberá no dia 1º de setembro, Maricato agradece às pessoas que contribuíram para sua trajetória: “Agradeço aos colegas, clientes, sócios, companheiros, colaboradores, amigos, enfim, a todos que contribuíram para viabilizar uma vida longa e feliz. É uma honra, um orgulho, uma alegria e também uma responsabilidade receber oficialmente esse título e a cidadania da cidade que adotei e que amo”, completa.
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