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QUE PISADA NA BOLA DO CARPINEJAR!

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O famoso escritor, conhecido pelas suas crônicas arrebatadoras, fez uma das crônicas mais infelizes da história da “Zero Hora” de Porto Alegre. Já os gremistas que ameaçaram o cronista, fizeram pior ainda.

por Airton Gontow

Vou dizer sem Carpinejar.

Ou melhor, sem pestanejar.

Não entendo o chororô dos influenciadores colorados e, pasmem, do cronista gaúcho (sou um de seus milhares de leitores), famoso por seus textos repletos de mensagens de amor e paz. Exageraram no tom e criaram um clima bélico para a partida final do Gauchão, que acontece às 18 horas deste domingo.
Quem trabalha com comunicação precisa ter responsabilidade. Não dá para riscar o fósforo, lançá-lo no ar e depois dizer que não teve responsabilidade pelo incêndio.

A crônica absurda publicada na “Zero Hora”

O Gre-Nal, clássico com a maior rivalidade do País, está marcado para o Beira-Rio, onde têm acontecido vários casos de violência nos últimos anos. Em 26 de fevereiro de 2022, o jogo foi suspenso quando o ônibus que transportava a delegação gremista foi apedrejado na chegada ao estádio. Uma pedra atingiu a cabeça do volante Villasanti, que sofreu traumatismo craniano.

Pouco mais de um ano depois, quando o Inter foi eliminado das finais do estadual pelo Caxias, torcedores colorados invadiram o gramado. Provavelmente você, leitor ou leitora, se lembre da terrível cena. Um dos bárbaros que entraram em campo para agredir os jogadores do time da Serra carregava no colo uma criança! Entrou com o filho no gramado para bater em um jogador que festejava a classificação!

Em 2019, a gremista Tais Dias estava no estádio do rival acompanhada do filho Bernardo, um gremistinha de seis anos de idade, foi agredida física e verbalmente, junto com a criança, por três torcedores do rival, que ficaram indignados, quando ela, já 15 minutos após o término da partida e com o estádio quase vazio de colorados, tirou a camisa do Grêmio e balançou-a para festejar com a torcida tricolor, que estava no andar superior do estádio. Um dos agressores era conselheiro do Inter.

Mãe e filho haviam assistido ao Gre-Nal na torcida rival, já que não tinham conseguido adquirir ingressos para o setor de torcida mista. Na hora do jogo, se separaram do marido, Lucas e dos filhos, Igor, de nove anos, e Gabriel, de 11, todos colorados, e foram para a área localizada abaixo da torcida tricolor. Foi a primeira vez que a família esteve no estádio. Em entrevista, Tais contou: “Em casa, a gente até torce para o time do outro para dar força. Quando é o Inter na TV, torcemos para o Inter”. No dia seguinte, a jornalista colorada Renata Fan chocou o país ao direcionar, em rede nacional, suas críticas não aos agressores, mas aos agredidos.

“O Inter não atuará contra o Grêmio, e sim contra o sistema, contra o campeonato, que parece ter consagrado um campeão por antecedência. Não é contra o Grêmio, mas contra seu favoritismo acachapante, contra a cabine do VAR, contra os áudios do VAR, contra as narrativas de que ninguém foi prejudicado na Arena, contra o Olé cantado pela massa azul no início do segundo tempo, contra a soberba, contra as risadas de escárnio, contra a flauta prévia, contra os acasos e as imperfeições humanas. contra o mundo”, escreveu Carpinejar Paz e Amor na sua coluna, que não está no caderno de Esportes, na “Zero Hora”, o maior jornal do estado e um dos principais do País.

Não dá para entender a reação destemperada e desproporcional dos influenciadores colorados e do Carpinejar. Antes de mais nada, não existiram, de acordo com a maioria dos analistas de arbitragem, erros graves cometidos pelo juiz Anderson Daronco no clássico gaúcho do último domingo, quando o Grêmio, em casa, fez 3 a 0 no grande rival.

É verdade que uma minoria viu no choque de Arthur com o centroavante colorado Borré uma cotovelada que mereceria a expulsão do capitão gremista. A maioria, como disse, considera que era lance para cartão amarelo. Mas 100% viram falta na entrada da área de Gabriel Mercado no ala Marlon, que avançava em direção à área adversária. Para muitos, era lance para amarelo. Para outros tantos, para cartão vermelho.

O maior e mais grave erro do Daronco foi, porém, passou quase que despercebido: a advertência que fez ao jogador Amuzu, o melhor em campo, que havia tentado um lance de letra, quando a partida já estava três a zero. Daronco pensou com os músculos. Lembrei-me de quando jogadores europeus partem para cima de algum adversário que que tentou uma jogada mais ousada. Habilidade não é crime, senhor juiz! Faz, literalmente, parte do jogo.

O lance em questão não foi um deboche ou uma tentativa vazia, como as embaixadinhas com os pés e a nuca feitas pelo capetinha Edilson em 1999, que levou a uma batalha campal entre corintianos e palmeirenses. O lance, aliás, acabou antecipando a ida de Ronaldinho Gaúcho para a Seleção Brasileira, no lugar do Edilson, que foi cortado da Copa América pelo treinador Vanderlei Luxemburgo. A jogada de Amuzu foi plástica, mas ele buscou, como acontece, por exemplo, em muitas janelinhas (canetas), surpreender o adversário, com um lance rápido. Se tivesse êxito, teria criado uma clara chance de gol para sua equipe.

Se Fabrício Carpinejar pudesse entrar em campo, mostraria cartão para Amuzu, para todos os jogadores gremistas que jogaram bonito e até mesmo para a torcida gremista que gritava “Olé”, como se a torcida do Inter não fizesse o mesmo se fosse seu time que estivesse com vantagem no marcador. Estranho e triste ver alguém que escreve sobre a beleza do cotidiano não conseguir aceitar a alegria do “outro”, não se colocar na posição do outro e não se aguentar de mimada inveja ao ver a festa do rival.

Ontem, sábado, 7 de março, alguns influenciadores colorados chegaram ao disparate de criticar o Alentaço, tradicional ação de apoio da torcida antes de jogos decisivos, muito tradicional entre os gremistas. O Alentaço Solidário, que ontem reuniu sete mil pessoas na Arena ao final do treinamento, arrecadou cerca de sete mil quilos de alimentos e produtos de limpeza para as vítimas das enchentes em Minas Gerais, mas foi chamado pelos colorados de “Festa Antecipada”. Como é que alguém que já cobriu as belíssimas e impressionantes “Ruas de Fogo”, feitas pela torcida vermelha antes dos grandes jogos não consegue entender e aceitar a alegria do rival?

Dirigentes gremistas chegaram a falar em resposta orquestrada, criada por dirigentes do rival. É realmente estranho observar termos e expressões que se repetem nas mais variadas postagens. Não sei se é, de fato, um movimento organizado, mas diante do texto de ontem na Zero Hora tenho que responder com opiniões, mas também com fatos.

Se há algum time que não pode reclamar do VAR e dos juízes no País é o Sport Club Internacional, que estaria na Segunda Divisão do Brasileirão se não tivesse sido tão beneficiado com tantos erros a seu favor pelas arbitragens no campeonato do ano passado, quando foi salvo da degola por um pontinho.

Na quinta rodada do Brasileirão de 2025, no Gre-Nal da Arena, o juiz Bráulio da Silva Machado não marcou um pênalti claro de Aguirre no atacante gremista Aravena. Mesmo chamado pelo VAR, manteve a decisão. A CBF, por meio do CCEI (Centro de Controle de Erros de Arbitragem), disse que houve um erro claro. O jogo acabou em 1 a 1. Se o pênalti fosse marcado e convertido, o time vermelho perderia um ponto.
Pior ainda foi a arbitragem do Gre-Nal do segundo turno, na 24ª rodada. Essa não entra na conta, porque o Grêmio superou todas as adversidades e venceu. A CBF, repórteres, comentaristas de arbitragem e ex-juízes foram quase unânimes em afirmar que dois dos três pênaltis assinalados por Marcelo de Lima Henrique para o Inter não aconteceram.

Na rodada seguinte, a 25ª, a Comissão de Arbitragem e a mídia de todo o país, viram erro na não marcação do pênalti de Bruno Tabata no atacante Ênio, do time de Juventude, no Jaconi. O jogo terminou empatado em um gol. Se convertido, o Colorado também não teria ganho esse pontinho. O erro foi tão gritante que Matheus Candançan (juiz de campo) e Diego Pombo Lopez (VAR Fifa) foram retirados temporariamente da escala de árbitros para passar por um período de “treinamento e avaliação interna”.

Mas não parou por aí. Na 26ª rodada, uma nova proeza, que quase entra no inacreditável futebol clube. Pênalti marcado no final do jogo, na Neo Química Arena contra o Corinthians. Rodrigo José Pereira de Lima marcou um pênalti aos 55 minutos da segunda etapa em uma disputa de bola entre o meio-campista Bruno Henrique e o zagueiro corintiano Cacá, quando o time paulista vencia a partida, que acabou empatada em dois gols. Sobre esse lance, não há unanimidade. O ex-juiz e hoje comentarista PC Oliveira disse que houve o pênalti. Mas a maioria viu um grande erro na marcação.

Seguiu na rodada seguinte. Como se fossem dominós caindo em série. Quantos erros seguidos a favor de um time que lutava contra o rebaixamento. Na 27ª rodada, o mesmo PC de Oliveira, o ex-juiz de Copa do Mundo Carlos Eugênio Simon e o Brasil inteiro viram um erro crasso de Flávio Rodrigues de Souza e de Rodrigo Guarizo Ferreira do Amaral (no VAR) na não marcação da penalidade clara de Mercado em Arthur Cabral do Botafogo. A partida estava empatada. O Inter venceu por dois a zero, mas é claro que um um lance assim muitas vezes é o fator preponderante para o resultado final. Segundo o “Gato Mestre” foi um dos grandes erros do Brasileirão

Voltemos também nossas atenções para o início da competição, além do já citado Gre-Nal do primeiro turno. Na segunda rodada, o Inter derrotou o Cruzeiro de Minas Gerais, por 3 a 0. A vitória vermelha foi facilitada pela expulsão injusta de Jonathan Jesus, tão sem sentido que fez mesmo no início do campeonato a CBF afastar temporariamente o juiz Marcelo de Lima Henrique (sim, o mesmo que marcou dois pênaltis inexistentes a favor do Inter no Gre-Nal do segundo turno), que só voltou na nona rodada. Também afastou a equipe do VAR, comandada por Daiana Muniz.

Na 9ª rodada, o juiz marcou um pênalti inexistente contra o Mirassol, convertido pelo Inter, quando a partida estava empatada. O Inter converteu e saiu na frente. Nessa partida houve, porém, um erro contra o time gaúcho. Foi na segunda etapa, quando o Mirassol já havia empatado. O Colorado teve um pênalti a seu favor, que não foi assinalado.

Não vou escrever aqui sobre todos os erros de arbitragem, mas o fato é que o Inter estava conquistando um título mundial em outubro do ano passado: a equipe com mais pênaltis marcados a seu favor juntando todas as competições. Até então, em 49 jogos disputados, haviam sido marcados 23 pênaltis para a equipe gaúcha. Depois, vinha o Al-Ahli, da Arábia Saudita, com 17 pênaltis em 39 jogos, e pelo Benfica, de Portugal, com 17 penalidades em 50 partidas.
Depois que a notícia tomou conta do País inteiro e mesmo de jornais de outros países, os pênaltis – quase um a cada dois jogos – sumiram das partidas coloradas.

Só voltaram na última rodada, quando o Inter marcou o segundo gol em um polêmico pênalti, mas que para a maioria dos analistas foi bem marcado, na vitória de 3 a 1 sobre o Bragantino, partida que livrou o clube do rebaixamento.

O Inter foi, ao lado do Grêmio, o time com mais pênaltis assinalados a seu favor no Brasileirão: 10. O Tricolor Gaúcho teve oito penalidades marcadas contra. Nesse quesito ficou com o saldo de dois. Já o colorado teve apenas dois pênaltis marcados contra ele. Ficou com o saldo de oito. No VAR, o Inter teve 15 decisões a seu favor e 10 contra. Saldo de cinco (terceiro maior saldo, atrás de Mirassol e Vasco, ambos com oito). O Grêmio teve 13 decisões a seu favor e 12 contra. Saldo de um (sétima colocação).

Eu poderia voltar um pouco mais no tempo, mas, sei, o texto já está muito grande. Mas só para dar mais alguns exemplos, falarei de dois Grenais. Em 24 de dezembro de 2021, Luiz Flávio de Oliveira não marcou pênalti de Nonato em Ferreirinha, aos 47 minutos do segundo tempo, quando o jogo estava empatado em um gol. Pouco depois, aos 49, assinalou um pênalti, que aconteceu, de Kannemann. Cerca de três anos antes, em 12 de março de 2018, Leandro Vuaden não marcou dois pênaltis claros e um duvidoso a favor do Grêmio em um clássico vencido pelo Colorado por 2 a 0. Quase todos os comentaristas de arbitragem deram razão às reclamações gremistas.

Com tantos casos nos últimos anos, a vice-presidência da CBF ocupada pelo colorado Francisco Novelletto Neto (ex-presidente por 15 anos da Federação Gaúcha de Futebol, cargo hoje ocupado pelo gremista Luciano Hocsman) e a Presidência da Liga Forte União (LFU) ocupada pelo presidente do Sport Club Internacional, Alessandro Barcellos, chega a ser patética a acusação de Carpinejar, que o Inter luta contra o sistema.

Lamúrias à parte, entremos agora na previsão para o jogo de hoje.

Apesar da vitória por 3 a 0 no primeiro Gre-Nal do Gaúchão, o título gremista não está garantido. Um gol no início. Uma expulsão. Uma atuação impecável. Tudo pode incendiar a massa e o time colorado e reverter o resultado.

Não dá para cantar vitória antes do tempo. Estive em 1995 na partida da Libertadores no Parque Antárctica, em São Paulo, quando o Palmeiras quase reverteu os 5 a 0 do Grêmio em Porto Alegre. Foi 5 a 1. Com grande sufoco e sofrimento.

Todos já vimos remontadas impressionantes. Quem não lembra do Barcelona em 2017? Após perder por 4 a 0 para o PSG em Paris, venceu por 6 a 1 no Camp Nou. Ao final da partida, precisava marcar três gols em cerca de 10 minutos. Neymar marcou dois e deu, no minuto derradeiro, o passe para Sergi Roberto. E avançou na Champions.

Obviamente que é muito mais fácil virar com Messi, Neymar e Suárez que com Carbonero, Alan Patrick e Borré, mas esses também já se mostraram jogadores importantes e decisivos em muitas ocasiões, inclusive em Grenais.

Dias atrás, em 3 de março, o Barcelona ficou no quase. Após perder por 4 a 0 para o Atlético de Madrid no Cívitas Metropolitano, o estádio do adversário, o Barça fez 3 a 0 em casa. Pressionou muito no final e quase leva a partida para a prorrogação. O Barcelona, amado pelos colorados por ter sido seu adversário na maior conquista da história do Inter, o Mundial, não vive só de superações. Também teve seus dissabores. Levaram uma virada histórica do Liverpool, no Milagre de Anfield, que fez 4 a 0, após ter sido derrotado por 3 a 0 no Camp Nou.

Às vezes as viradas acontecem na volta do intervalo, quando tudo parecia perdido. O mesmo Liverpool em 2005 perdia por 3 a 0 a final da Champions para o Milan, em Istambul, na Turquia. No intervalo, a torcida inglesa começou a cantar You’’ll Never Walk Alone (você nunca andará sozinho”), de forma ensurdecedora. Os jogadores contaram depois que encontraram forças na torcida. Voltaram com tudo na segunda etapa, empataram a partida, levaram a decisão nos pênaltis e ficaram com título.

No Brasil, a virada mais impressionante que assisti, pela tv, foi em 2000, na final da Copa Mercosul, quando o Vasco da Gama perdia por 3 a 0 para o Palmeiras, no campo do adversário, o Parque Antárctica. No segundo tempo, comandado por Juninho Pernambucano, Juninho Paulista (que marcou o gol de empate aos 40 da segunda etapa) e pelo gênio Romário, que fez três gols, em uma das maiores atuações da sua carreira, o Vasco virou a partida e ficou com o título. Os últimos dois gols foram marcados quando o Vasco estava com dez jogadores, já que Júnior Baiano foi expulso, e a torcida palmeirense já festejava o título.
Para os gremistas, todo cuidado é pouco. Para os colorados, sempre há esperanças. Podem se inspirar e buscar forças em seu passado de glórias, na mística do Beira-Rio e nas remontadas citadas há pouco. Raramente um título está decido na primeira partida quando é uma decisão de 180 minutos. Especialmente em um clássico. Mais ainda, em um Gre-Nal.

Os gaúchos costumam definir com incrível precisão e uma bem-humorada frase, quando pessoas de outros estados e países indagam:

– O que é Gre-Nal?

A resposta:
– Gre-Nal é Gre-Nal!
Tem também a o famoso adendo dito pelo ex-centroavante gremista Jardel, que garante ter feito uma piada:

– E vice-versa!


O que não é piada nem é engraçado é a gritaria dos tão favorecidos colorados nos últimos anos, especialmente do talvez principal cronista gaúcho da atualidade.

É claro que devem responder na esfera civil e criminal os gremistas que, em resposta à tão bélica crônica, reagiram em nível ainda mais baixo e fizeram ameaças ao cronista.

Mas Carpinejar deve desculpas ao jornalismo e aos gremistas, que – poxa vida – representam cerca de 60% dos seus leitores no Rio Grande do Sul.

Airton Gontow
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