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Todos os caminhos levam a Roma. E como é bom se perder na Cidade Eterna!

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Com cerca de 2,9 milhões de habitantes e 2.700 anos de história, poucas cidades no mundo são tão plenas de vida, arte, moda e sabor, em cada esquina.

Reportagem de Airton Gontow (texto) e Maria Pereira Gontow (fotos)

Há muitas frases e denominações conhecidas sobre Roma: “Quem tem boca vai a Roma”, “Roma, Cidade Eterna”; “Todos os Caminhos Levam a Roma”, “É bom se perder em Roma”, “A Cidade das Sete Colinas”, “Museu a Céu Aberto”, “Roma é Amor ao contrário”… Todas são lógicas e encantadoras, menos a última, que me incomoda. Claro que sei que a frase se refere ao palíndromo, que é a coincidência da palavra que se lê igual da esquerda para a direita e da direita à esquerda. Mesmo assim, não é correto. Penso nisso depois de guardar as malas no quarto do hotel em que estamos, enquanto dou uma ajeitada no visual antes de – que maravilhosa sensação – sair pela primeira vez à rua para descobrir uma nova – ainda que antiga – cidade.


Coliseu: dois mil anos de história, beleza e horror.

Assim como quem vejo à minha frente, no espelho, sou eu e não o contrário de mim, Roma e Amor são uma coisa só. Roma é amor em estado puro, pleno, perfeito. Mal chegamos aqui e estamos, eu e minha esposa, a repórter fotográfica Maria Pereira Gontow, apaixonados pela cidade.

 Já que descarto uma das frases, que tal criar ou apropriar-me de outra: “Quem tem pernas vai a Roma!” Antes de mesmo de chegar decidimos que ficaríamos hospedados na área do Centro Histórico – no coração da cidade – e que procuraremos fazer praticamente tudo a pé. Sem radicalismo, claro, que o turista tem o direito de mudar de planos de acordo com rumo os desejos e acontecimentos.

O que visitar na Cidade Eterna

É de tirar o fôlego subir as escadarias da Piazza Spagna. Literalmente!

Como é emocionante andar pelas ruas estreitas e repente se descobrir em frente à linda e icônica Piazza di Spagna. Ali, do lado oposto às escadarias, começa a via dei Condotti onde se passa por algumas das mais famosas e cobiçadas marcas do mundo, como Armani, Bulgari, Louis Vuitton, Gucci, Dior e Prada, além de cafés e docerias clássicos e deliciosos, como o Antico Caffe Greco. Assim como a Condotti, há muitas outras ruas instigantes a serem percorridas.

Também ali pertinho está a Piazza Navona, de estilo barroco, situada onde antes estava o estádio Domiciano, com cerca de 30 mil lugares. Foi construída a pedido do papa Inocêncio X. Hoje mescla cultura e história com modernidade. Destaque para suas esculturas, três fontes (a Fontana dei Quattro Fiumi, Fontana del Moro e Fontana del Nettuno), construções imponentes (como o Palácio Pamphilj, construído onde está situada a embaixada brasileira) e também cafés, bares e restaurantes. Não é, de modo geral, a melhor dica para quem procura alta gastronomia. Mas poucos lugares são tão incrivelmente belos e inesquecíveis para pedir um drinque (nós optamos pelo Aperol), sorvete, café ou mesmo um petisco e passar o final de tarde.

O repórter e a repórter fotográfica: apaixonados na e pela Piazza Navona, onde está a Fontana del Nettuno, maravilha barroca do escultor Giovanni Ceccarini –
Crédito: arquivo pessoal do “Casal Gontow”

Na Piazza Della Rotonda, o Pantheon que significa “para todos os deuses”

Todos – ou, para ser mais exato, quase todos – os caminhos levam a monumentos históricos e sítios arqueológicos. Passamos por uma rua do comércio e moda e – que emoção! – chegamos quase sem querer ao Pantheon (Panteão de Agripa). É o mais conservado do Império Romano, com cerca de 1.900 anos. No local, eram adorados os deuses e imperadores romanos. No século 7, quando o Cristianismo já era – desde 380 – a religião oficial do Império Romano, passou a ser uma igreja católica. Imponente por fora é também impressionante por dentro, com sua incrível cúpula com 43 metros de diâmetro, com uma abertura ao centro por onde entra a luz e as colunas coríntias de pedras maciças. O local tem entrada gratuita.

Do lado de fora, vale a pena caminhar pela Piazza de la Retonda e ver a arquitetura do Pantheon, o comércio e as pessoas do mundo inteiro. Muita gente compra lanches em lugares bem próximos e senta ao redor do monumento, em qualquer cantinho das escadarias, muretas e beira das calçadas em torno à piazza. Nossa escolha foi o tradicional Antica Salumeria, com saborosos queijos e embutidos. Há também cafés e restaurantes. O melhor de tudo é curtir e aproveitar o astral e a vista estonteante.

No mesmo dia ou no dia seguinte – como é difícil definir o tempo em uma cidade com 2.700 anos! – vale demais voltar à Pizza Spagna e de lá subir, vagarosamente a escadaria de 135 degraus em direção à Igreja Trinità dei Monti. Não é pela extensão da escada – até mesmo porque há elevador – mas lá de cima a vista é de tirar o fôlego.

Depois, que tal ir a um lugar que a maioria dos turistas não conhece? Situada na colina Pinciana, a Vila Borghese é o terceiro maior parque de Roma. Também dali a vista é exuberante. Os romanos costumam se divertir pelo parque, fazem piquenique, ficam estirados na relva (no verão e primavera) e passeiam por suas alamedas, seja caminhando ou alugando bicicletas individuais ou coletivas. Para o turista vale, demais, uma visita à Galeria Borghese e passear pelas obras de obras de Ticiano, Canova, Rubens Caravaggio, Rafael, Da Vinci e muito mais.

Vista para Roma da entrada da Villa Borghese, pouco depois da subida das escadarias da Piazza di Spagna sim

Após o parque (em algumas épocas do ano de alguns lugares dá para ver um inesquecível pôr-do-sol) no caminho de volta a gente passa, depois de descer pelas escadarias ou alamedas próximas, por praças, fontes, cafés, lojas e ruas repletas de história e modernidade.

Fonte da paixão

Fontana di Trevi: lugar imperdível, mesmo com tantos turistas!

Com seus 26 metros de altura por 20 de largura, a Fontana di Trevi é a maior fonte da Cidade Eterna. Inaugurada em 1762, faz parte das fachadas do Palazzo Poli e foi projetada por Nicola Salvi. Os melhores horários para quem busca quietude, sem disputar espaço com outros turistas, é de madrugada ou nas primeiras horas da manhã. Preferimos ir no horário normal. Mesmo que estejamos na Europa, sempre é mais tenso andar com celular, dinheiro e documentos em uma cidade grande e deserta. Com calma, mesmo com o local cheio de gente, dá para se aproximar, sentar para admirá-la. Não entre na água como Anita Ekberg e Marcello Mastroiani em “La Dolce Vita, de Federico Fellini”. Mas dá para fazer fotos do local e também algumas selfies, eternizando a alegria de se visitar uma cidade tão linda e, talvez, ao lado de quem amamos. Diz a lenda que quem jogar uma moeda de costas para a fonte terá sorte e voltará a visitar a cidade. Vale a pena o ritual. Mas se você está em Roma, já é um sortudo!

Arena histórica

Coliseu: para vaiar e aplaudir

Não é tão próximo do Centro Histórico, mas dá para chegar em uma hora de caminhada. É incrível olhar, de fora e de dentro, o Coliseu, monumental estádio, de 57 metros de altura e quase dois mil anos de história. A antiga arena foi utilizada para sangrentas lutas e batalhas. Dá para imaginar a multidão – povo, nobres, senadores – gritando extasiada, pelo grande espetáculo. Calcula-se que 70 mil pessoas podiam estar presentes simultaneamente. Algumas estimativas dizem que ali morreram 500 mil pessoas, entre gladiadores, cidadãos romanos condenados, estrangeiros e escravos e um milhão de animais.. O poder de Roma deixou marcas para a eternidade, mas explorou e massacrou milhões de pessoas e animais. Dá vontade de aplaudir! Mas, a gente também imagina e sente o terror das pessoas e dos animais aprisionados nas galerias que ficavam abaixo da arena, enquanto ouviam os gritos de pavor e dor de quem era estraçalhado. Nesse caso, quem tem boca “vaia Roma”! No passeio ao Coliseu é possível comprar ingressos que incluem o Monte Palatino e o Fórum Romano, centro da vida romana imperial e republicana, onde ficavam os prédios públicos e religiosos, e espaços para as famosas discussões, debates e discursos.

 Templo de cultura e fé

Saindo da multidão, um homem conversa, a sós, com Deus.

Com 23 mil metros quadrados, A Basílica de São Pedro é o principal templo do Catolicismo do mundo. Vale também subir pela escada na cúpula e se encantar com a vista da cidade, a 136 metros de altura. Depois de apreciar na Praça de São Pedro, as colunas. sua beleza e imponência, procure por uma obra surpreendente e nem tão conhecida: “Angels Unawares”, escultura de um barco com refugiados e migrantes de mundo, de diferentes etnias, países e religiões de Timothy Schmalz. A obra encanta e nos convoca à empatia. Em nossa leitura, transmite a mensagem que fé e a crença em Deus deveria nos aproximar de todos os seres humanos.

Em meio à tanta imponência e grandiosidade, uma singela escultura de um barco com refugiados e migrantes de mundo, de diferentes etnias, países
e religiões, feita por Timothy Schmalz, provoca empatia e reflexão. Todos estamos no mesmo barco!

Há em Roma opções gastronômicas para todos os gostos, estilos, propostas e bolsos. Muitas vezes a escolha passa pelo charme. Em outras, pela alta gastronomia. Ou pelas mesas estarem situadas em frente a um prédio icônico. No tradicional Rosati, aberto em 1922, um mix de bar, café e doceria, situado na Piazza del Papolo 4/5/5A, prove delicias como o Maritozzo e Canoli. É bonito por dentro, mas com o tempo bom é ótimo ficar do lado de fora, apreciando a piazza, com suas duas igrejas gêmeas: Santa Maria in Montesanto e Santa Maria dei Miracoli, erguidas por desejo do papa Alexandre VII e o obelisco Flaminio, de 24 metros de altura, construídos nos tempos dos faraós Ramessés II e Merneptá (entre 1232 e 1220 a.C) e levados por Augusto para Roma. Aliás, existem na cidade muitos lugares com vista inesquecível. Um deles é o Terrazza Les Étoiles (restaurante italiano com um toque internacional – Via dei Bastioni, 1), bem pertinho do Vaticano.

No Terrazza Les Étoiles, a harmonização da comida com a vista torna tudo perfeito!
A charmosa Taverna Trilussa, no instigante bairro Trastevere,

Próximo ao Coliseu, há inúmeras opções gastronômicas, como a clássica casa romana Trattoria Monti (Via di S. Vito, 13) . Próximo à Piazza Navona e o Pantheon fica o Pietro (a tratoria é pequena. Por isso é fundamental reservar), na Vila dei Pianellari, 19 tel: 06-686-8565). Também por ali, a 50 metros da Fontana di Tevi, está o Comodo Mercato Trevi, conceito diferente de restaurante, com cinco cozinhas e múltiplas opções gastronômicas (Via del Lavatore, 88-B). É uma das boas novidades de Roma.

A Osteria Dell’Arco (Via G. Pagliari, 11) é charmosa e pequenina. Tem ótimas massas e bons preços. No charmoso bairro Trastevere, situado às margens do rio Tibre, há bares, restaurantes, monumentos, igrejas antigas e comércio. Vale demais passear pelo bairro e também percorrer as margens do Tibre. Escolhemos a Taverna Trilussa, (www.tavernatrilussa.it). Excelente e com vários ambientes, todos charmosos e diferentes entre si. Também no Trastevere, um dos lugares recomendados é a Trattoria da Enzo (Via dei Vascellari, 29), que descobrimos em uma das nossas caminhadas.

Também há dezenas de boas sorveterias, como a Giolitti (Via degli Uffici del Vicario, 40), próxima à Fontana di Trevi; e a Venchi (Via del Corso, 335). Fora do badalado Gueto Judaico, , mas pertinho dele, fica o Piperno (Monte dè Censi, 9 – tel 06-6880-6629), com ótima carta de vinhos e o melhor da cozinha judaico-romana. Também é fundamental reservar antes. Não deixe de experimentar a carciofi alla giudia (alcachofras judaicas, fritas). São crocantes e suculentas. Peça também o antepasto e depois escolha um dos peixes que estão na entrada da casa e para que o preparem no forno. Ou peça uma massa, claro.

Onde ficar

Quarto do impressionante Hotel de Russie
Quarto com requinte e charme no Palazzo Ripetta

Palazzo Ripetta – em uma das mais antigas e tradicionais ruas do centro histórico de Roma, a Via di Ripetta, 231, fica o Palazzo Ripetta. O antigo quatro estrelas deu lugar, há um ano, a um hotel sofisticado, cinco estrelas, que une tradição e charme ao conforto, requinte e modernidade. Hoje possui 78 quartos e luxuosas suítes em um prédio construído pela primeira vez no século 17, como um Conservatório liderado por freiras. Palazzo Ripetta

Hotel de Russie, do grupo Rocco Forte Hotel, inaugurado em 2000, está situado ao longo da elegante Via del Babuino, 9, meio do caminho entre duas das mais famosas e icônicas praças de Roma – a já citada a Piazza di Spagna e a bela Piazza del Popolo. É excepcional em todos os sentidos. Um dos destaques é o seu “Secret Garden”. www.roccofortehotels.com

*Esta matéria de Airton Gontow e Maria Pereira Gontow foi originalmente publicada no jornal “Estado de Minas”. Aqui, a reproduzimos no “Mundo Coroa”, com alterações pontuais feitas pelos próprios autores.

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