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Anoitecer exuberante a belíssima cidade de Liverpool

Por Airton Gontow

Com fotos de Maria Pereira Gontow

Situada no Noroeste da Inglaterra, com cerca de 500 mil habitantes, Liverpool tem inúmeras atrações, que vão de referências aos Beatles, museus, estádios de futebol, catedrais e uma impactante região portuária a times de futebol.

Ao deixar a estação de trem, o primeiro olhar revela um entorno elegante. A poucos metros, os imponentes National Museum e o Royal Court Theatre. Esta é uma das mais famosas e importante cidades europeias e há muito para ver e visitar. Mas não agora. Ando rapidamente pelas ruas, arrastando as malas com rodinhas. Tenho pressa para chegar ao hotel, guardar meus pertences e sair logo para ver de perto e descobrir tudo sobre os quatro fabulosos: o famoso Quarteto de Liverpool!

– Salah, Firmino, Mané e Alisson!

Estamos, eu e a repórter fotográfica Maria Pereira Gontow, na Inglaterra a convite da VisitBritain para conhecer, além das cidades, clubes e estádios ingleses.

O campeonato nacional inglês é considerado, com sobras, o melhor do mundo. Organizado e com estádios seguros tem todos os anos vários candidatos ao título – bem diferente do que acontece em países como a Itália, França, Espanha, Alemanha, Portugal e Holanda, onde a disputa invariavelmente se resume a duas ou três equipes. Até recentemente, apenas a Espanha rivalizava em visibilidade com a Premier League, já que nela atuavam Cristiano Ronaldo e Messi, os dois grandes craques dos últimos onze anos no Planeta da Bola. A ida do primeiro à Itália, deu “de vez” a supremacia ao Reino Unido.

Superioridade que já repercutiu nas competições continentais. Na última edição da Champions League, quatro dos oito classificados para as quartas-de-final foram ingleses: Liverpool, Manchester City, Manchester United e Tottenham. Nas semifinais e final. dois foram da Terra da Rainha: Liverpool (o campeão) e Tottenham. A final da segunda competição mais importante do continente, a Liga Europa, também foi disputada entre dois ingleses: Arsenal e Chelsea (que conquistou o título).

O futebol busca se consolidar como uma das joias da coroa do turismo inglês.  Dos turistas que prestigiam algum evento esportivo, cerca de três quartos compareceram a uma partida de futebol. O Turismo gera £108,55 bilhões por ano para a economia do Reino Unido. Segundo a Pesquisa Internacional de Passageiros do Departamento de Estatísticas Nacionais, feita em 2014, o gasto médio por visita de turistas que assistem a pelo menos um jogo de futebol é de £855, enquanto para os que não vão a jogo algum o gasto médio é de £628.  Dos turistas que vão ao Reino Unido para prestigiar algum evento esportivo, cerca de três quartos compareceram a uma partida de futebol.

De acordo com o VisitBritain, há um forte crescimento na chegada e gastos dos turistas brasileiros. Nos primeiros três meses do ano passado, foram 74 mil viagens do Brasil para o Reino Unido, um aumento de 41% em relação ao mesmo período de 2017. Em relação aos gastos, mesmo com a crise econômica, de janeiro a março deste ano os brasileiros deixaram em território britânico £56 milhões, o que representa 28% de aumento em relação ao ano anterior.

Pacotes lançados recentemente para brasileiros e outras nacionalidades devem impulsionar ainda mais o número de turistas. Tem dado certo. O bom filho à casa torna: ver o principal esporte do mundo na terra onde ele nasceu, é uma experiência única e inesquecível.

Nos pacotes Football is Great, de quatro, cinco e seis dias, há passeios em pequenos, médios e grandes estádios, visitas a museus temáticos do futebol, jogos e idas a pontos turísticos e gastronômicos, já que ninguém é de ferro. Nem de couro.

Shanky Hotel

The Shankly Hotel: lugar para se hospedar ou simplesmente visitar.

The Shankly Hotel: lugar para se hospedar ou simplesmente visitar.

A chegada ao The Shankly Hotel (diárias a partir de £82 – www.shankyhotel.com), a sete minutos para quem vai a pé da estação de trem, é o pontapé inicial do passeio pelo mundo do futebol inglês, que no Brasil não por acaso apelidamos de “Esporte Bretão”. É impressionante ver o hotel erguido em homenagem a um herói que nunca jogou pelo Liverpool nem pelo Everton, as duas principais equipes da cidade.  O local é uma ode ao ex-treinador Bill Shankly que comandou o Liverpool por incríveis 15 temporadas, entre as décadas de 50 e 70.

Tudo o hotel é dedicado a ele. Ou melhor, quase tudo, já que os quartos surpreendentemente dão um descanso ao olhar e não têm nada que se refira ao treinador e ao futebol.  Em praticamente todas as salas há referências às conquistas e trajetória de Shankly. No teto, uma linha do tempo conta sua história. Nos corredores, taças, faixas, painéis fotográficos e bolas antigas revelam momentos marcantes da carreira do lendário treinador escocês, mas também em seu período anterior, como jogador, como as medalhas que recebeu. No hall de entrada e em diversas outras áreas, há frases impactantes ditas por Shankly, como Liverpool was made for me and I was made for Liverpool  (“O Liverpool foi feito para mim e eu fui feito para o Liverpool”)  e Although I’am a Scot, I”d be proud to be called a Scouser (“Apesar de eu ser escocês eu ficaria orgulhoso de ser chamado de liverpoolzense”).

Também no The Bastion – Bar e Restaurante do hotel, há objetos por toda a parte, que dividem a atenção de hóspedes e torcedores que assistem aos jogos enquanto comem os pratos, sanduíches e petiscos e bebem coquetéis ou cervejas inglesas. O nome do local é uma referência a outra famosa frase de Shankly: My idea was to build Liverpool into a bastion of invincibility (“Minha ideia era construir o Liverpool em um bastião de invencibilidade”).

No The Bastian, no The Shankly Hotel o banheiro com o exótico mictório

No The Bastian, no The Shankly Hotel o banheiro com o exótico mictório

No The Bastion chama a atenção o banheiro masculino onde três baldes de diferentes tamanhos foram transformados em mictórios. Ao lado do primeiro balde, pequeno, está escrito: “para o começo da noite”. Junto ao segundo, de tamanho médio, há a plaqueta “para o meio da noite”. E no terceiro, bem grande, para ser utilizado após muitos comes e bebes, especialmente bebes, está assinalado “para o final da noite”.

Shankly na entrada do Anfield

Shankly na entrada do Anfield

Chegar ao Anfield Stadium emociona quem é apaixonado por futebol.  O antigo estádio inaugurado em 1884 foi reformado e ampliado para 54.074 lugares em 2016, mas ainda tem aquela atmosfera de lugar histórico onde ocorreram batalhas, derrotas e conquistas épicas, ao contrário do que aconteceu com muitos estádios brasileiros que perderam a identidade. Na chegada, há uma estátua de Bill Shankly, o que reafirma sua posição de um dos grandes ídolos da história do clube.

Mais que a escultura, chama a atenção a frase com o lema da torcida estampado junto o portão de entrada estádio: You”ll Never Walk Alone (“Você Nunca Caminhará Sozinho”), quase um segundo hino, cantado pela torcida na entrada em campo, durante os jogos e muitas vezes após as partidas, seja nas vitórias, seja nas derrotas.

Por aproximadamente duas horas, ao preço de £20 (www.liverpoolfc.com), o turista tem a oportunidade de conhecer todo o estádio, em um passeio bem programado, que reúne história e emoção, impactante até mesmo para quem não é torcedor do time. O grupo é relativamente pequeno, cerca de 30 pessoas, de “todos” os cantos do planeta.  Impossível não pensar em brincar com o nome da guia que recebe o grupo: “Chelsey”. Rápida e experiente, ela se antecipa: “vejam, sou a Chelsey e não a Chelsea. É bom não confundir…”

Não é Chelsea. É Chelsey!

Não é Chelsea. É Chelsey!

O passeio começa com um subir de escadas, ladeadas por faixas históricas e repletas de dizeres como Liverpool, The Cream of Europe (“Liverpool, a nata da Europa) de sua fanática torcida que não festeja um título de campeão inglês desde a temporada 1989/90, ainda pela Primeira Divisão, já que a Premier League surgiu apenas dois anos depois, mas que comemorou este ano a sexta conquista da Champions.

Guias também experientes e engraçados, ao menos para quem, como este repórter, aprecia o humor inglês, levam o turista para conhecer as diversas dependências de Anfield, em um padrão muito parecido com o que vimos em outros estádios durante o tour pelo futebol inglês.

Uniformes de adversários, como Cristiano Ronaldo, Henry e Messi.

Uniformes de adversários, como Cristiano Ronaldo, Henry e Messi.

Marcante ver expostos no vestiário reservado aos times adversários os uniformes de grandes jogadores que enfrentaram o clube, como Buffon, Xavi, Iniesta, Cristiano Ronaldo, Henry, Messi e o craque do Jardim Irene, capitão do Penta, Cafu; assim como estar no vestiário do clube inglês junto aos “armários” de Mané, Salah e dos brasileiros Alisson, Fabinho e Firmino.

A alegria de fazer fotos junto aos uniformes dos ídolos

A alegria de fazer fotos junto aos uniformes dos ídolos

Ainda no vestiário, um vídeo, apresentado pelo técnico Jürgen Klopp, conta a história do clube. Na sequência, um imenso salão traz painéis com fotos e frases dos grandes treinadores que marcaram época na história dos Reds, como Bob Paisley, o técnico que mais venceu grandes títulos pelo Liverpool; Joe Fagan, Kenny Dalglish (There is no one anywhere in the world at any stage who is any bigger or any better than this football club – “Não há ninguém em qualquer lugar do mundo e em qualquer patamar que é maior ou melhor do que este clube de futebol”), Gérard Houllier, Rafael Benitez (Before, I said that they were maybe the best supporters in England. Now, maybe they are the best supporters in Europe – “Antes, eu dizia que eles eram talvez os melhores torcedores da Inglaterra. Agora, talvez sejam os melhores torcedores da Europa.”) e, claro, Bill Shankly.

Galeria com painéis sobre os grandes técnicos do clube

Na Sala de Imprensa, pessoas de todas as idades aproveitam para tirar fotos, como se fossem jogadores ou treinadores.

Torcedores de todas as idades adoram fazer fotos na sala de imprensa como se fossem jogadores ou técnicos.

Em toda a parte do estádio e também no museu do clube há muitas referências aos seis títulos de campeão europeu conquistados nas temporadas de 1976/77, 1977/78, 1980/81, 1983/84, 2004/2005 e 2018/19. O Liverpool é o maior vencedor inglês da competição europeia, seguido pelo Manchester United, com três conquistas (1967/68, 1998/99 e 2007/08). Não havia brasileiros flamenguistas e são-paulinos no grupo. Pena! Ficaram tristes e ao mesmo tempo orgulhosos ao perceber que não há referências às finais de mundiais perdidas.  Em 81, com antológica atuação de Zico, o rubro-negro carioca venceu por 3 a 0. Em 2005, na maior atuação da vida de Rogério Ceni, o tricolor paulista ganhou por 1 a 0. Em 84, o time inglês foi derrotado pelo Independiente da Argentina (em 77 e 78, os Reds desistiram de disputar o título). No dia 21 de dezembro de 2019, o Liverpool teve a chance da revanche contra o Flamengo, venceu por 1 a 0, e finalmente chegou ao seu primeiro título mundial, privilégio que apenas o Manchester United possuía no futebol inglês.

Sinal-de-respeito-e-precisão-história: museu-do-Liverpool-começa-com-um uniforme-do-Everton.

Sinal-de-respeito-e-precisão-história: museu-do-Liverpool-começa-com-um uniforme-do-Everton.

Na entrada do museu, antes de começar a galeria de troféus, fotos e uniformes, um fato surpreendente: as primeiras “peças” trazem a primeira maquete do Anfield e um uniforme, também antigo, do maior adversário da cidade, o Everton. Uma plaqueta informa que foi um presente dado pela equipe rival: “Anfield foi a casa do Everton de 1884 a 1892. O primeiro jogo do Everton foi disputado aqui em 27 de setembro de 1884, derrotando o Earlstown FC por 5 a 0”.  Exemplo de que civilidade e precisão histórica podem andar juntos com a paixão.

Anfield Stadium: templo do futebol mundial

Anfield Stadium: templo do futebol mundial

O momento mais marcante do passeio é, sem dúvida, quando se chega dentro do estádio, com vista para o gramado verde e impecável e um aparelho de realidade aumentada mostra o Anfield lotado.

Um dos momentos mais marcantes do tour no Anflied.

Um dos momentos mais marcantes do tour no Anflied.

Para onde direcionamos o aparelho ouvimos e vemos o som e as imagens da torcida. vibrando e entoando seu canto mais famoso, o já citado You will never walk alone. É incrível, mas a gente se sente realmente como se estivesse em dia de jogo.

Também curioso e engraçado é ver nas janelas do estádio bolinhas vermelhas que dificultam a vista para o Goodison Park, o estádio do Everton.  Talvez a brincadeira tenha origem em mais uma frase antológica de Shankly: If Everton were playing at the bottom of the garden, I’d pull the curtains.  (“Se o Everton estivesse jogando no fundo do meu jardim eu fecharia as cortinas”.) O guia indaga: ‘vocês sabem a distância entre a gente e o Everton?’ Diante da resposta negativa de todos do grupo, ele prossegue: “As pessoas dizem que é 1,1km, mas a verdade é que são 11 pontos”, que era a diferença à época na tabela da competição durante a nossa visita.

Bolinhas dificultam a visão para o estádio do rival Everton

Apesar das provocações, a rivalidade vermelha e azul, ainda que iniciada em 1894 (Everton venceu por 3 a 0) não chega próxima das grandes no mundo. Tanto que o clássico, que hoje é denominado Merseyside Derby, foi durante muitas décadas chamado de Frendly Derby (o “Clássico Amigável”).  Quem torce para o Blues enxerga no gigante vermelho da cidade o adversário a ser batido, mas não vê o rival com um inimigo. O beatle Paul McCarney talvez personifique, com certo exagero, esse espírito amigável. Nascido em uma família de torcedores do Everton, ele já foi visto algumas vezes no Goodison, torcendo pelo time do coração. Mas também simpatiza pelo Liverpool, para quem torce em todos os jogos, menos, claro, quando o adversário é o próprio Everton.

O guia e vários torcedores do grupo confessam a este jornalista que o Everton não é visto como um grande rival de fato. Para os torcedores dos Reds, o adversário está em outra cidade: é o também vermelho Manchester United, maior vencedor da Premier League (contando todas as edições, mesmo com outras denominações), time de maior torcida do País, com o maior número de simpatizantes no mundo e, até hoje, o único inglês campeão mundial. Segundo a lista de Forbes de 2018, é o time com a marca mais valiosa no planeta no futebol (US$ 4,123 bilhões) e a segunda entre todos os clubes esportivos do mundo, atrás apenas do Dallas Cowboys (US$ 4,8 bilhões), de futebol americano.

Aliás, as bolinhas impedem a visão de longe, mas se sobrar um tempinho sempre vale a pena uma visita ao charmoso Goodison Park, com capacidade para 39.572 pessoas, que pode ser feita por £15. O passeio segue o modus operandi dos outros estádios ingleses, mas há atrações especiais. Uma delas é o fato de jogarem no Everton os brasileiros Bernard e Richarlison. Mas acima de tudo é porque lá foi o palco das três partidas da Seleção Brasileira – vitória de 2 a 0 sobre a Bulgária e derrota por 3 a 1 para Hungria e de 3 a 1 para Portugal – na catastrófica campanha na Copa de 66, quando a então bicampeã mundial, vencedora na Suécia, em  58, e Chile em 62, foi eliminada na primeira fase.

O estádio deve ser sempre lembrado e reverenciado por ser o local da última vez em que Pelé e Garrincha atuaram juntos pela Seleção Brasileira em um jogo oficial. Foi no dia 12 de julho de 1966, na vitória por 2 a 0 sobre a Bulgária, mesmo adversário que enfrentaram em sua estreia pela Seleção, em 18 de maio de 58, na vitória por 3 a 1, com dois de Pelé e um de Pepe. Nessa partida da Copa da Inglaterra, Pelé marcou aos 15 do primeiro tempo e Garrincha aos 18 do segundo, ambos de falta. Pelé e Garrinha nunca foram derrotados atuando juntos pelo escrete canarinho. Em 40 partidas, foram 36 vitórias e quatro empates. Pelé fez 44 gols e Garrincha 11.

Talvez agora o texto até entre em contradição com o início desta reportagem. Assistir a Pelé e Garrincha em campo seria tão antológico quanto ver um show com Lennon e McCartney em Liverpool. Os dois craques brasileiros jogavam por música! Aqui não há aparelho de realidade aumentada. Mas a atmosfera mágica tudo permite. Feche os olhos e, como na famosa canção, Imagine

Veja aqui uma Seleção com 11 atrações show de bola da cidade….

 1 – Radio City Tower (1 Houghton St, Liverpool L1, 1RL) – Do alto dos seus 140 metros de altura, a Torre, a maior de Liverpool tem a força simbólica de lembrar a todos que foi através das antenas de rádio que o som dos Beatles primeiro se espalhou pela cidade, pela Inglaterra e pelo mundo. Fica perto da Estação de Trem. O preço da entrada é de £6;

– Catedral de Liverpool (St. James Mt. Liverpool, L1/7AZ) – Até quem não é religioso entra no local e exclama: “My God!”  Essa estupenda catedral anglicana, construída em estilo neogótico, com 101 metros de altura, 189 metros de comprimento e 9.678m2, é a maior da Inglaterra e a mais extensa do mundo. Foi inaugurada em 1924. Os detalhes também fascinam, como o altar repleto de referências bíblicas, os vitrais coloridos, os sinos enormes e o órgão com dez mil tubos. A entrada é franca, mas para subir na torre, que traz uma das mais belas vistas da cidade, o turista paga £5,5;

 

Chegada à região do Pier Head

Chegada à região do Pier Head

3 – Pier Head – É preciso caminhar por essa bela região revitalizada, à beira do rio Mersey, em meio a centenas de gaivotas e observar seus prédios majestosos e históricos, de grande beleza arquitetônica, como as “Three Graces (Três Graças): Royal Liver, Cunard e Port of Liverpool. Esses edifícios foram erguidos como símbolos do prestígio internacional do comércio da cidade. Da região, partem passeios de barco pelo rio Mersey. Se sobrar um tempinho, vá até o Shopping One, que é aberto e tem boas opções de bares e restaurantes;

Estátua dos Beatles: como se os encontrássemos no meio de uma caminhada

Estátua dos Beatles: como se os encontrássemos no meio de uma caminhada.

4  – Estátua dos Beatles

Inaugurada em 2015,  a obra do escultor Andy Edwars, com mais de dois metros de altura e 1,2 toneladas, é ao mesmo tempo leve e imponente, divertida e emocionante.  Na cena, Paul McCartney, George Harrison, Ringo Starr e John Lennon caminham, observam a cidade e conversam, trajando com despojada elegância gravata e capa de chuva. Poucos resistem à tentação de tirar uma selfie com os 4Fab! E por que resistir? A gente se sente como se fosse o quinto Beatle…;

5 – Museu de Liverpool (Waterfront, Woodside, Pier Head, Liverpool L3 1DG) – Fica quase em frente à estátua dos Beatles. Com oito mil m2 e arquitetura moderna e impactante, foi inaugurado em 2011. Conta a história da cidade e celebra seus feitos, com destaque à arte, música, esportes e indústria. Metade de um andar é dedicado aos Beatles. A entrada é gratuita;

6 – Roda-Gigante de Liverpool (Keel Wharf, Liverpol, L3 4FN) –  Não compare com a London Eye!  É outra roda-gigante, outra cidade, outro rio! Inaugurada em 25 de março de 2010, na orla do rio Mersey e próxima ao Pier Head, a Wheel of Liverpool tem 365 toneladas, 60 metros de altura e 42 cabines de vidro, entre elas uma VIP de luxo.  É mais uma forma incrível de ter uma visão panorâmica da cidade. Por ser mais baixa que a Rádio City Tower e a Torre da Catedral, permite uma vista mais próxima, divertida e romântica, onde é possível ver os detalhes da região da orla. Em outubro de 2013, essa Roda Gigante esteve próxima de se tornar uma atração de parque de terror. Um raio atingiu sua estrutura. Mas não houve dano algum à estrutura e tal incidente nunca mais se repetiu. A entrada custa a partir de £9;

7 –  Cavern Club (10 Mathew St, Liverpool L2 6RE) – Aqui não é o lugar original. Mas não importa! Está a 15 metros de onde ficava o primeiro, fundado em 1957, como um clube de jazz, e demolido em 1973. A nova construção recebeu os mesmos tijolos da antiga e a casa foi reaberta em 84. O local recebe apresentações musicais e milhares de turistas. Na entrada, há uma estátua de Lennon e um Wall da Fama, com os nomes de músicos que estiveram na casa, como o brasileiro Ivan Lins. Entrar no Cavern é como ingressar em um túnel, do tempo. Foi no icônico pub que os Beatles realizaram seu primeiro show, em 1961. Foi também no Cavern Club que tiveram seu primeiro encontro, no dia 9 de novembro de 1961, com Brian Epstein, que tinha ouvido falar na banda e foi até lá só para ouvi-los. Epstein se tornaria empresário da banda e figura tão fundamental na trajetória, que Paul chegou a declarar: “Se existiu um quinto Beatle, ele foi Brian Epstein. Fizeram no local 292 apresentações. A última delas em 3 de agosto de 63. 

 

Belo e recheado de atrações Albert Dock

Belo e recheado de atrações Albert Dock

8 – Albert Dock –  À beira do Rio Mersey,  abriga  armazéns e docas do antigo porto de Liverpool, construído em 1846,  com ferro fundido, pedras e tijolos, o que representou uma revolução à época. O local foi castigado durante a 2ª. Guerra Mundial. Depois, passou por problemas financeiros até ser fechar em 72, para reabrir, revitalizado, nos anos 80. Virou um polo de lazer, cultura e entretenimento, com restaurantes, pubs, lojas e museus. Em 2004, a área foi declarada Patrimônio Mundial da Unesco.  Em um mesmo prédio do Albert Dock (Liverpool L3 4AQ), há dois importantes museus: o Marítimo e o Escravidão, no segundo e terceiro andares respectivamente. Também no Albert Dock está a Tate Liverpool (Liverpool Waterfront, Liverpool L3 4BG), inaugurada em 1988, que tem um acervo com a arte britânica de 1.500 até os dias atuais, além de arte moderna e contemporânea britânica e internacional. Como a quase totalidade dos museus britânicos, tem entrada franca para as exposições permanentes com obras artistas como Picasso, William Blake, Salvador Dalí e Matisse, e exposição provisórias pagas e gratuitas. Especialmente para quem viaja com crianças é fascinante e literalmente saboroso também visitar no Albert Dock a loja onde 15 mil balinhas (Jelly Beans) formam um mosaico com um poster dos Beatles;

– Love Lane Brewery – ex H-1780 Tap & Still (62-64 Bridgewater St, Liverpool L1 0AY)  – A casa é um mix de bar, cervejaria artesanal e destilaria de gim. Tem aparência descolada, bem de acordo com a região em que está situada, o Baltic Triangle, com fachada de tijolos aparentes e janelas grandes. No interior, há mesas de vários tamanhos, algumas grandes, para muitas pessoas. O cliente pode conhecer os processos de fabricação da cerveja e do gim e também optar por degustações como a “’The Ginsmiths Experience”. Há muitas opções de cerveja. A minha escolha foi pela Indian Pale Ale, que é um dos carros-chefes da casa e também a Love Lane English Pale Ale, imperdível, e que harmonizou bem demais com o prato pedido: uma espetacular Perna – a panturrilha – de Leitão à Pururuca (foto), feita no molho de cerveja, tipo Ale Amber Higson’s, assada lentamente, com acompanhamento de repolho roxo. Por £15, deu para duas pessoas;

Panturrilha de Leitão à Pururuca.

Panturrilha de Leitão à Pururuca.

 

Réplica do icônico palco do Cavern Club na The Beatle Story

Réplica do icônico palco do Cavern Club na The Beatle Story

Contato com a Beatlemania e a histeria dos fãs na The Beatle Story

10 –The Beatles Story – O número dez não é por acaso. É a atração principal para os turistas que procuram por referências daquela que é considerada por muitos como a principal banda de todos os tempos. É o maior museu dedicado aos Beatles no mundo.  Inaugurado em 1990, tem objetos e cenários que contam a vida e a trajetória da banda, como as primeiras guitarras de George e Paul, a reprodução do Casbah Coffe Club (onde nasceram os Beatles, na época ainda com o nome ‘The Quarrymen”), a reprodução da região do The Reeperbahn, em Hamburgo, Alemanha, onde a banda tocou no início dos anos 60; o estúdio onde gravaram  com Tony Sheridan, uma réplica do Cavern Club (foto acima), uma decepcionante Abbey Road, o submarino amarelo e até uma réplica de parte do avião que levou a banda para os EUA, de onde dá para ouvir e se impressionar com a histeria dos fãs no aeroporto (foto abaixo) ; o cenário da última apresentação da banda, no dia 30 de janeiro de 1969, no telhado da Apple em Londres, os óculos redondos de Lennon e ao final uma sala dedicada a cada um dos Beatles. O preço é de £16.95, com um áudio-guia incluso. Tem em português. O ticket dá direito à entrada em uma outra parte do museu, situada no Pier Head, que traz as influências musicais da banda. Muitos turistas deixam de fazer essa parte da visita, por falta de tempo, mas também de informação;

11  – Tour para os Beatlemaníacos – É indicado para quem é fã de carteirinha da banda, interessado em visitar os pontos marcantes na vida dos Beatles.  A maioria dos lugares está em áreas afastadas do centro. O Magical Mistery Tour percorre por duas horas (£18,95 por pessoa) os principais pontos relacionados aos 4Fab, como as casas onde nasceram e viveram. Magical Mystery Tour é também o nome do disco lançado pela banda em 1967. Entre as áreas visitadas, estão a Penny Lanne, onde os integrantes da banda, com destaque Lennon e Paul passaram a infância e que inspirou a música “Panny Lane”; St. Peter’s Church, onde Paul e John se encontraram pela primeira vez; e o Strawberry Fiels, que era um orfanato mantido pelo Exército da Salvação, muito próximo à residência de John, que adorava se refugiar ali. A boa novidade é que o local, que inspirou a música “Strawberry Fields Forever”, e até agora pode ser visto e fotografado apenas por fora, em breve abrirá seus famosos portões para o público, em projeto que inclui restaurante, café e um centro para exposições.  (A.G)

 

 Serviço

 

Como chegar no Reino Unido

British Airways tem voos diárias para Londres saindo de São Paulo. Outra opção é utilizar os serviços de empresas que voam para as principais capitais da Europa e reali­zar um voo de conexão. Há, também, uma possibilidade interessante que é a Royal Air Maroc, que tem voos saindo de São Paulo e Rio para Casablanca e de lá para Londres. A partir de 29 de março de 2020 a Virgin Atlantic terá voos diários de São Paulo a Londres. A Norwegian possui voos quatro vezes por semana do Rio de Janeiro a Londres. A partir de março, será três vezes por semana, às segundas, quartas e sextas-feiras.

 

Onde ficar em Liverpool

The Shankly Hotel –  http://www.shankyhotel.com Millennium House, 60 Victoria Street, Liverpool, L1 6JD, UK

Um pub temático para erguer muitas taças –

Pogue Mahone (Liverpool – 77 Seel St, Liverpool L1 4BB) – é um pub para quem adora futebol, mas também críquete, rugby, boxe e outros esportes, que são exibidos nos televisores. O local tem “coleções’ de cervejas, boa música e é frequentado tantos por torcedores do Liverpool quanto do Everton.

Pacotes Football is Great 

A Abreu (abreutur.com.br) possui pacotes exclusivos para o Reino Unido, voltados aos apaixonados por futebol e turismo. Há opções de quatro a seis dias, que incluem Manchester, Liverpool e Londres, como seis dias, a partir de 1.016,00 euros por pessoa. Não estão inclusos os voos internacionais entre Brasil e a Grã-Bretanha, nem ingressos para os jogos. Para mais informações, visite https://www.abreutur.com.br/Default.aspxe e vá até a seção https://www.abreutur.com.br/Football_is_great-9239.aspx. Mais informações também estão disponíveis no site https://www.visitbritain.com/br/pt-br.

Viajar no Reino Unido

Como é fácil viajar de trem através do Reino Unido! O Tour do futebol não é diferente. O melhor jeito para chegar às cidades, com conforto e rapidez, é de trem. Há vários tipos de “pacotes” do BritRail Pass (http://www.britrail.com/), como dez dias de viagens no período de mês ou viagens ilimitadas durante um mês,  para embarcar nos trens da National Rail Network para cidades da Inglaterra, Escócia e País de Gales. Para quem planeja bem a viagem, geralmente essas opções são vantajosas em relação à compra de cada trecho.

Para assistir aos jogos

A Premier League  (https://www.premierleague.com/) informa que o turista que viaja por conta própria pode encontrar ingressos nos sites do próprios clubes. Também é possível adquirir ingressos através da Abreu Tour.

O repórter Airton Gontow e a fotógrafa Maria Pereira Gontow viajaram com o apoio do VisitBritain.

 

Este texto foi adaptado e atualizado para o portal “Terceiro Tempo” a partir de três matérias de turismo, publicadas por Airton Gontow nas revistas “Qual Viagem” e “Higienópolis” e no jornal “A Tribuna”, de Santos.

 

Airton Gontow é jornalista, cronista e diretor do site de relacionamento Coroa Metade e do canal de YouTube Mundo Coroa.

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